Baía de Guanabara receber 100 toneladas de detritos por dia

A Baía de Guanabara já perdeu 60 quilômetros quadrados, ou 15% da sua superfície, por causa de assoreamento gerado pela degradação ambiental, mostram estudos feitos pelo geólogo Elmo Amador. O pesquisador estima
que, em cem anos, um terço da área da baía terá secado. Dez anos depois de iniciadas as obras do programa de despoluição, que já consumiram US$ 855 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões), o estado trata apenas 25% do esgoto jogado na baía. A meta era chegar a 58% já em 1999, quando deveria ser concluída a primeira fase do projeto. A segunda etapa, que aumentaria esse percentual para 82%, ainda não tem data para começar, em razão de atrasos sucessivos. As estações funcionam abaixo da capacidade e na de São Gonçalo o estado terá de refazer um tanque por erro de projeto.
que, em cem anos, um terço da área da baía terá secado. Dez anos depois de iniciadas as obras do programa de despoluição, que já consumiram US$ 855 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões), o estado trata apenas 25% do esgoto jogado na baía. A meta era chegar a 58% já em 1999, quando deveria ser concluída a primeira fase do projeto. A segunda etapa, que aumentaria esse percentual para 82%, ainda não tem data para começar, em razão de atrasos sucessivos. As estações funcionam abaixo da capacidade e na de São Gonçalo o estado terá de refazer um tanque por erro de projeto.
Estudo de geólogo mostra que 15,7% da área total já estão assoreados
.
A Baía de Guanabara, descrita por José de Alencar como magnífica, de águas límpidas e serenas, transforma-se silenciosamente numa desbotada paisagem
Mais de R$ 1,36 trilhão, não conseguiu evitar que a cada segundo 25 mil litros de esgoto sem tratamento cheguem à Baía.
Vizinhos de estação não têm rede de esgoto
"Baía limpa é uma coisa para os meus tataranetos - brinca o pescador Renato
Américo Lopes, de 66 anos, morador da Praia das Pedrinhas, uma vila de pescadores vizinha à estação de tratamento de esgoto de São Gonçalo."
Os problemas da Baía de Guanabara
Dez anos depois de iniciadas as obras do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, a situação permanece alarmante. Prazos não cumpridos, obras inacabadas e equipamentos que funcionam em condições precárias ajudaram a agravar os índices ambientais do golfo mais importante do Estado do Rio de Janeiro: são 60 quilômetros quadrados de área assoreada, 90 quilômetros quadrados de aterro, pelo menos 15 mil litros de esgoto por segundo e toneladas de resíduos industriais, entre outras agressões. Especialistas alertam que, na tendência atual de degradação, a baía não dura mais 200 anos.
Vazadouros 1
Dos 14 municípios do entorno da Baía de Guanabara, apenas Nova Iguaçu tem aterro sanitário dentro das exigências ambientais. Só o lixão de Gramacho, que hoje funciona como aterro controlado, recebe lixo de Caxias, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Mesquita e Nilópolis. Há ainda inúmeros depósitos de lixo clandestinos, cujos resíduos chegam à Baía de Guanabara.
Dos 14 municípios do entorno da Baía de Guanabara, apenas Nova Iguaçu tem aterro sanitário dentro das exigências ambientais. Só o lixão de Gramacho, que hoje funciona como aterro controlado, recebe lixo de Caxias, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Mesquita e Nilópolis. Há ainda inúmeros depósitos de lixo clandestinos, cujos resíduos chegam à Baía de Guanabara.
Aterros 2
Até ser tombada, na década de 80, a Baía de Guanabara perdeu uma área correspondente a 30% de sua superfície original.
Currais de peixes 3
Estudo do Departamento de Oceanografia da Uerj mostra
que há 511 currais de peixe na Baía de Guanabara. Na técnica, herdada pela cultura tupi-guarani, os peixes ficam presos em redes e grades de bambu.
Estudo do Departamento de Oceanografia da Uerj mostra
que há 511 currais de peixe na Baía de Guanabara. Na técnica, herdada pela cultura tupi-guarani, os peixes ficam presos em redes e grades de bambu.
Esgoto doméstico 4
Depois de dez anos de obras, ainda são despejados diariamente pelo menos 15 mil litros de esgoto por segundo sem tratamento na Baía de Guanabara, o que representa 75% do total lançado.
Lixo flutuante 5
Varia de dez a cem toneladas por dia, dependendo das chuvas. A maior parte
é de sacos plásticos e garrafas pet.
é de sacos plásticos e garrafas pet.
Descargas poluídas de rios 6
Dos 55 rios que desembocam na Baía de Guanabara, estima-se que saiam quatro milhões de toneladas de sedimento, lixo e material orgânico.
Despejo de óleo 10
São cerca de três toneladas por dia despejadas na baía. Na década de 90, eram 10 toneladas. A redução é atribuída aos investimentos da Petrobras em programas de controle ambiental, após o acidente num de seus dutos, em 2000.
Transparência baixa, clorofila elevada 9
A transparência do fundo da baía é de cerca de um metro na estação seca e meio metro na chuvosa. A turbidez é elevada por causa dos altos índices de clorofila.
Resíduos industriais 8
O segundo pólo industrial do país opera dentro da baía, com cerca de 10 mil indústrias. As águas da baía apresentam índices críticos de zinco, mercúrio, cromo, fenóis, chumbo e cobre. As indústrias despejam 64
toneladas de carga orgânica por dia e pelo menos 0,3 tonelada de metais pesados.
toneladas de carga orgânica por dia e pelo menos 0,3 tonelada de metais pesados.
Assoreamento elevado 7
A baía já tem 60km2 de sua área assoreados e pode perder dois terços nos próximos 200 anos. Especialistas dizem que tal perda significaria a morte da baía.
O assoreamento é provocado por sedimentos, esgoto (matéria orgânica) e outros resíduos levados para o fundo da baía.
O assoreamento é provocado por sedimentos, esgoto (matéria orgânica) e outros resíduos levados para o fundo da baía.











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